Prática 3
Acumulação de energia:
Estudo do comportamento da bateria de chumbo-ácido.
Introdução
Na maioria dos sistemas fotovoltaicos é empregado um banco de baterias para regularizar o
suprimento de energia para os períodos noturno ou de baixa insolação. Existem inúmeros
tipos de baterias no mercado, dentre elas as principais são a de chumbo-ácido e a de
níquel-cádmio. A de chumbo-ácido é em geral a escolhida em razão de seu baixo custo e
facilidade de aquisição e é precisamente essa, portanto, a que veremos nessa
experiência.
Definições
Em nossa bancada encontraremos uma bateria modelo YB2,5L-A fabricada pela Lucas-Yuasa do
Brasil S.A. que apresenta as seguintes características:
- Tensão nominal
Uma bateria não apresenta em seus terminais uma tensão fixa. A tensão nominal, que para
a nossa bateria é de 12 V, reprenta a média dos valores encontrados durante um processo
normal de descarga.
Capacidade nominal
A capacidade nominal, dada em Ampères-hora, se retirada da bateria a levaria a um estado
de total descarregamento. A capacidade nominal da nossa bateria é de 2,5 Ah.
Profundidade de descarga
Nunca devemos descarregar completamente uma bateria de chumbo-ácido. A profundidade de
descarga, em torno de 20 % da capacidade nominal, informa que dos 2,5 Ah de nossa bateria
só podemos usar 0,2 ´ 2,5 = 0,5 Ah sob pena de danificá-la
irremediavelmente. Os acumuladores de níquel-cádmio, ao contrário, devem trabalhar em
ciclos de carga e descarga completas para evitar a redução da sua vida útil.
Corrente de carga
Devemos usar uma fonte de corrente para carregar nossa bateria e o seu valor geralmente é
encontrado dividindo por 10h a capacidade nominal. A corrente de carga será então de
0,25 A.
A corrente de descarga apresenta também esse mesmo valor.
Tensão de flutuação
A bateria descarrega-se sozinha se abandonada em circuito aberto. É preciso então manter
uma fonte de tensão ligada aos seus terminais para que ela permaneça em seu estado de
plena carga. Em nosso caso a tensão de flutuação é de 12,9 V.
Tensão de gaseificação
Durante o processo de carga a tensão na bateria sobe lentamente, ultrapassando a tensão
nominal e a de flutuação até atingir a tensão de gaseificação. A partir desse
momento cessa a acumulação de energia e se insistirmos elém desse ponto a bateria passa
a consumir toda a corrente entregue realizando a eletrólise da água, o que pode ser
visto com facilidade através da intensa formação de bolhas. A tensão de gaseificação
da nossa bateria é de 15,15 V.
O equipamento utilizado
Tanto o processo de carga como o de descarga são monitorados continuamente pelo
computador. Aos terminais da bateria está ligado um relê de um pólo por duas posições
que comuta a sua ligação entre carga através do módulo fotovoltaico e
descarga através do resistor variável. O relê é acionado pelo canal 1 de saída
da placa analógico/digital usando apenas um pequeno circuito de apoio.

O laboratório dispõe também de um densímetro já ligado à bateria que permite uma
fácil leitura da densidade do eletrólito.
O programa de controle
O programa que usaremos nessa prática chama-se BATERIA.EXE. Da mesma forma que os
anteriores ele gera ao seu término um arquivo com o registro da corrente, compondo a
primeira coluna, e da tensão, compondo a segunda coluna, de nome BATERIA.TXT. Os ciclos
de carga e descarga são suficientemente rápidos para serem acompanhados pelos alunos já
que a bateria é de pequeno porte. O processo é realizado de forma semi-automática pois
se o final de cada operação é comandado pelo relê, o início é comandado pelo
operador. Lembre-se que o arquivo contendo os resultados deve ser aberto pelo MATLAB e os
comandos sugeridos para traçar a curva da tensão ao longo do tempo são os seguintes:
load bateria.txt
corrente = bateria(:,6);
tensao = bateria(:,7);
plot (tensao);
A evolução da tensão
O estado de carga de uma bateria na verdade só pode ser determinado através da medição
da densidade do eletrólito, ou seja, da concentração de ácido sulfúrico dissolvido na
água. Esse dado é, no entanto, de obtenção muito difícil ou mesmo impossível nas
baterias seladas. A solução encontrada foi associar empiricamente cada valor de
densidade a uma determinada tensão. Os resultados encontrados não são exatos mas
admite-se que, para uma bateria de chumbo-ácido de 12 V, a tensão não deve cair abaixo
de 10,4 V durante a descarga nem deve subir além de 14,4 V durante a carga. Veja nas
figuras seguintes o comportamento da tensão nos terminais da bateria quando essas
limitações não são obedecidas:


Com base nesses gráficos programamos o computador para interromper o processo de carga
quando a tensão atingir 15,15 V e o processo de descarga quando a tensão atingir 11,5 V.
O processo completo de carga e descarga da bateria é então realizado automaticamente com
o resultado seguinte...

No instante 1 inicia-se o processo de carga com uma corrente constante de 0,35 A. No
instante 2 o relê é acionado e a tensão, agora em circuito aberto, cai a um nível de
repouso de 12,70 V, correspondente a uma densidade de 1,240 kg/l. Entre os pontos 3 e 4
ocorre a descarga da bateria a uma corrente também constante de 0,53 A. A tensão de
repouso, correspondente ao ponto 5, é de 12,38 V e a densidade de 1,155 kg/l. Não foi
adotada a corrente de 0,25 A para a carga e descarga para que o ciclo se realizasse mais
rapidamente.
Note que essa última figura retrata muito bem a atuação de um controlador de carga,
limitando a faixa de operação da bateria e impedindo que ela seja danificada por
descargas profundas ou ressecamento do eletrólito.
Realização da prática
Gravação do ciclo completo da bateria: monte o circuito para iniciar o
carregamento da bateria. Meça a densidade do eletrólito. Carregue o programa BATERIA.EXE
e ligue as lâmpadas.
Após o chaveamento do relê aguarde alguns minutos, desligue as lâmpadas e meça
novamente a densidade.
Inicie a descarga da bateria através do resistor fixo em paralelo com uma pequena
lâmpada. Após o chaveamento do relê proceda da mesma forma que antes: aguarde alguns
minutos e meça a desidade do eletrólito. Encerre o programa de gravação dos dados.
Avaliação dos resultados: trace as curvas de corrente e tensão para o ciclo
completo. Calcule a carga e a descarga em Ah. Os valores são iguais? Os dados de
densidade são coerentes com as respectivas tensões de repouso? Calcule a eficiência da
bateria.
Conclusões
Está plenamente operacional o Laboratório de Energia Solar da UFRJ. O primeiro curso foi
encerrado no segundo período de 1997 e os alunos puderam comprovar experimentalmente os
fenômenos estudados em sala de aula. É desnecessário enfatizar a importância da
experimentação na didática de Engenharia Elétrica: daí todo o esforço realizado na
concretização desse projeto.
Como sugestão para o desenvolvimento do trabalho resta desenvolver uma prática de
inversores, onde os alunos podem ver como um sistema fotovoltaico, que trabalha com
corrente contínua, pode substituir a rede elétrica, que opera em corrente alternada. Já
estão em andamento também os trabalhos de expansão do Laboratório, que contará com um
painel composto de 16 módulos instalados no teto do bloco I da Universidade; permitindo
que se realizem estudos com iluminação natural e também da ligação do sistema à rede
elétrica.
Bibliografia
Sick, Friedrich; Erge, Thomas - Photovoltaics in Buildings
James & James (Science Publishers); IEA (International Energy Agency), 1996.
Lorenzo, Eduardo - Electricidad Solar - Ingeniería de los Sistemas
Fotovoltaicos
PROGENSA - Promotora General de Estudios S.A., 1994.
Grupo de Trabalho de Energia Solar Fotovoltaica - Manual de Engenharia para
Sistemas Fotovoltaicos
1995.